Falta de piloto é problema mundial

posted Sep 29, 2010, 1:17 PM by Unknown user
A Webjet continua proibida de vender passagens até sexta-feira porque seu índice de cancelamentos permanece alto. Desde o início de setembro, a companhia vem cancelando voos, de modo a evitar que sua tripulação exceda a carga de trabalho determinada em lei: 85 horas de voo por mês, 230 horas por trimestre e 850 horas por ano. A Anac autuou a Webjet 55 vezes por desrespeito ao limite de horas trabalhadas, o que poderá levar a multa de R$ 225 mil. Trip e Passaredo receberam 41 autos de infração cada pela mesma razão, o que deverá totalizar R$ 164 mil em multas.

Sindicatos e especialistas temem que o ocorrido com a Webjet e a Gol, que no início de agosto enfrentou problemas parecidos, comprometam a segurança dos voos. Para Jorge Barros, diretor da consultoria Nvtec, a experiência das empresas mostra que há uma desorganização na gestão: — Parece que o setor que vende passagens e o operacional não estão se falando. Isso denuncia uma desorganização gerencial, que pode ter desdobramentos para o setor de manutenção.

Outro ponto preocupante é a escassez de pilotos. Temo que as empresas comecem a reduzir suas exigências para preencher as vagas.

O especialista em segurança de voo e diretor técnico do Sindicato Nacional de Empresas Aeroviárias (Snea) Ronaldo Jenkins, minimiza o impacto do caos aéreo sobre a segurança. Para ele, o problema é a escassez de mão de obra e o custo de sua formação: — É um problema no mundo todo.

De acordo com a Organização Internacional de Aviação Civil, as companhias áreas do mundo vão precisar de 49 mil pilotos por ano de 2010 a 2030, mas a capacidade de formação é de 47.025. Não à toa, muitas buscam profissionais no Brasil. Neste mês, a Qatar Airways chegou a anunciar processo de seleção para comissários.

O Snea prevê um apagão de mão de obra em dois anos no Brasil, especialmente de pilotos, caso seja mantido o ritmo de crescimento do setor.

Segundo a Anac, há cinco mil pilotos e dez mil comissários com licenças válidas para trabalhar nas companhias aéreas. Marco Reina, diretor de Fiscalização do Sindicato Nacional dos Aeronautas, alerta para a possibilidade de novo caos aéreo no fim do ano, porque pilotos e copilotos têm excedido o limite de horas.

— É preocupante a falta de estrutura das empresas, a despeito de um setor que cresce acima de 20%. Não há outra saída, que não seja contratar — disse ele, acrescentando que, das mais de mil denúncias recebidas por excesso de trabalho ou descumprimento de direitos dos trabalhadores, a maioria vem de Gol, Webjet e TAM.

Ele lembra que um piloto — que agora requer nível superior — leva de quatro a cinco anos para se formar. E essa formação é cara: custa de R$ 300 mil a R$ 400 mil. Segundo Reina, os salários dos brasileiros são inferiores aos de outros países, o que levou muitos a deixarem o país após as crises de Varig e Vasp. Enquanto a média de um comandante de uma grande companhia no Brasil gira em torno de R$ 12 mil, nos EUA é de US$ 15 mil.

As quatro maiores empresas do país, Tam, Gol, Webjet e Azul, afirmaram que estão contratando pessoal e que cumprem o limite de horas de voos de seus funcionários.


PREVENIR OU REMEDIAR

PRIMEIRO, A Gol; agora, a Webjet, cujos problemas começaram na segunda e continuaram ontem. Deve haver alguma deficiência administrativa séria em companhias de aviação incapazes de montar escalas de tripulantes para atender à demanda de forma adequada.

A FREQUÊNCIA desses apagões justifica alguma medida de prevenção por parte da Anac.

Esta é uma atividade em que sempre é melhor prevenir.

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